COIMBRA, CIDADE INTELIGENTE

COIMBRA, CIDADE INTELIGENTE

A compreensão da evolução urbana é importante para se perceber o papel das cidades no mundo de hoje e tentar preparar um futuro que seja coerente com o passado e o presente, mas possa melhorar as condições de vida dos futuros “cidadãos”.

As cidades surgiram por motivos muito concretos relacionados com as potencialidades da sua localização. Por exemplo, Coimbra surgiu no primeiro local onde a navegação do Rio Mondego se tornava impossível para as embarcações que o subiam a partir da sua foz. O exacto local onde o Mondego deixava as montanhas para encontrar um caminho pacífico até ao mar, permitindo a navegação e a troca de mercadorias foi aquele que apresentou as condições para o surgimento e desenvolvimento de uma Cidade. Por essas e outras condições naturais e humanas, Coimbra seria muito mais tarde escolhida para primeira capital de um país em formação.

As razões para o surgimento de Coimbra foram umas. Ao longo das suas centenas de anos outras razões surgiram para a sua manutenção e crescimento. Crucial foi a transferência da Universidade no século XVI e a circunstância de a Cidade ter albergado os únicos estudos superiores de Portugal, praticamente até ao fim do século XIX.

A partir dos meados do século XX, o desenvolvimento do país criou toda uma nova envolvência às cidades e Coimbra não podia fugir disso. Alguma estagnação se sentiu na sequência de um certo desnorte no encontrar de novas razões para a sua existência, algo crucial para continuar viva no futuro.

Qualquer cidade, para se desenvolver de forma competitiva e sustentável tem que encontrar a sua razão de ser, a sua vocação, o seu carácter, perfil, atractividade, factores de diferenciação e uma capacidade de crescente desenvolvimento económico.

A necessidade de compreensão da realidade e do potencial existente continua a ser uma constante, para definir uma visão estratégica para o futuro.

Coimbra está incluída no grupo de 70 “smart cities” da Europa. A nossa cidade é a única portuguesa incluída no grupo, no qual só mais três se localizam na Península Ibérica: Pamplona, Valladolid e Oviedo. Para a escolha destas 70 “cidades europeias inteligentes” de entre quase 1.600 cidades europeias, investigadores de várias universidades usaram diversos critérios, ligados à economia, à habitação, à cultura, e às condições sociais e ambientais.

A ponderação desses factores num universo de cidades médias europeias com uma população entre 100.000 e 500.000 habitantes, dispondo de pelo menos uma universidade e com uma área de influência de menos de 1.500.000 pessoas, veio a considerar Coimbra como a única portuguesa entre as 70 cidades europeias ditas inteligentes.

A integração de Coimbra neste grupo é resultado de uma História e de uma conjugação de factores internos e externos. Corresponde a uma situação num determinado momento histórico, podendo a partir daí as condições manter-se estáveis, degradar-se ou, preferencialmente, evoluírem no sentido da melhoria. Depende da evolução das outras cidades e também da capacidade de acção dos seus responsáveis políticos para agarrarem e trabalharem as cinco áreas a que Ernâni Lopes chamava o “Pentagrama de Ouro”: a Economia, a Criatividade (cultural), a Segurança (de pessoas e bens), as Funções e Conteúdos Básicos (administração e organização), a Estabilidade Social e a Qualidade de Vida (ambiente, transportes, saúde, educação e habitação).

Como se vê, todo um conjunto de áreas que devem ser tratadas de forma integrada e harmoniosa, com visão estratégica que pressupõe conhecimento da realidade actual e da História bem como capacidade de concretização.

Muitas vezes, nas alturas cruciais das eleições para as Autarquias discute-se tudo e mais alguma coisa, menos o essencial que é aquilo que acima se resume. Que em tempo de escolha de candidatos não se esqueça o que é verdadeiramente importante para o futuro de Coimbra e dos seus cidadãos (actuais e que hão-de ser).

Texto originalmente publicado no Diário de Coimbra em 19 de Novembro de 2012

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