Dos culpados do gigantesco endividamento público

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«Na origem do endividamento público gigantesco estão opções políticas em que o ministro, o primeiro-ministro ou presidente de câmara gastou dinheiro dos impostos das pessoas no seu benefício político direto, ou seja, para ganhar as próximas eleições» (Rui Rio).

Verdade como punhos! Mas os políticos responsáveis continuam a querer sacudir a água do capote, dizendo que a culpa (pasme-se!) é de todos os portugueses!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu fazer auto-estradas que ninguém usa!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu construir estádios de futebol e hospitais, que os mais elementares estudos demonstrariam que viriam a tornar-se em verdadeiros elefantes brancos!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu contratualizar as escandalosamente ruinosas PPPs!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu pagar os 5 milhões de euros pelo buraco das fraudes cometidas durante anos no BPN!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu pagar ordenados obscenos a gestores e a mediáticas “estrelas” de empresas públicas!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu conceder reformas milionárias aos senhores políticos ao fim de dois mandatos na Assembleia da República!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu atribuir carros de alta cilindrada, chaufeurs, secretárias, assessores e seguranças a governantes e ex-governantes, cujas mordomias continuam a ser semelhantes às dos seus congéneres dos países do chamado Terceiro Mundo!

Como se tivesse sido o povo português que decidiu atribuir subsídios chorudos às Fundações e IPSS dos “amigos” e correligionários do partido!

Como se tivesse sido o povo português que nomeou gente medíocre, pela lógica do cartão partidário, para as chefias do Estado com responsabilidades na gestão do erário público!

Senhores políticos portugueses que assumiram responsabilidades nas duas últimas décadas: parem de sacudir a água do capote e, se ainda vos resta um pouco de dignidade, demitam-se! Tenham a humildade de dar lugar a outros, não necessariamente aos mais jovens, mas aos mais competentes e sem aqueles vícios nefastos que se adquirem nas hostes rasteiras dos aparelhos partidários! Dêem lugar a gente independente e empenhada que tenha dado provas cabais da sua honestidade, da sua competência e da sua responsabilidade cívica no exercício de uma qualquer profissão!

Tenham a humildade de pôr de parte as vossas paroquiais divergências partidárias e pensem de uma vez por todas no interesse do povo português, que se vê em palpos de aranha para pagar aos credores os vossos inqualificáveis desmandos e desvarios! Sim, este povo português que, ainda por cima, é diariamente acusado de ser esbanjador e caloteiro! Se têm ainda uma réstia de dignidade, demitam-se, por favor! E o mais depressa possível! A bem da necessária higiene política que sirva de alicerce a um futuro que permita aos nossos filhos e netos continuarem a viver com o mínimo de dignidade nesta tão maltratada quanto bela nesga de terra debruada de mar!

Ana Maria Ramalheira

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