Evolução da dívida portuguesa (% PIB) e IRS

Evolução da dívida portuguesa (% PIB) e IRS

O quadro abaixo mostra a evolução da dívida portuguesa, em percentagem do PIB, como registada pelo Banco de Portugal, como prevista no 1º memorando da Troika e como prevista na 11ª (e última) revisão do memorando da Troika (Março de 2014). O valor registado de 2014 é o apresentado para o mês de julho de 2014 pelo Banco de Portugal (134%). É de notar ainda que o Documento de Estratégia Orçamental (de Abril de 2014) previa uma dívida no final de 2014 a rondar os 130,2% do PIB e que o OE2014 (aprovado em outubro de 2013) previa uma dívida de 126,6% do PIB também no final de 2014. Olho também, de forma comparativa, para os números da população empregada e para a cobrança de IRS.

O que é importante dizer é que a dívida está a crescer e diverge muito das previsões recentes feitas pela Troika e pelo Governo, o que aparentemente indica que o assunto estará a sair do controlo.

 

 

Acresce, que se olharmos para os dados da população ativa (2ºT de 2011 e 2014), da população empregada (2ºT de 2011 e 2014) e da cobrança de IRS (como reportado na síntese de execução orçamental de Agosto de 2014, referente a Julho, na de Janeiro de 2012, que contém os dados de todo o ano de 2011, e nas estimativas do 2º orçamento retificativo de 2014) obtemos os seguintes dados:

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Há um aumento brutal da carga fiscal referente ao trabalho (+27%), com uma diminuição muito significativa do número de pessoas empregadas (-9,8%), o que significa que em média cada trabalhador paga de IRS mais cerca de 41%, comparando 2014 com 2011.

Fico muito preocupado com isso quando vejo um orçamento retificativo aparentemente cheio de folgas orçamentais que compensam tudo, a ausência de reformas estruturais dignas desse nome que invertam esta situação, um crescente “populismo” eleitoralista que afeta todos os partidos e uma gigantesca carga de impostos (37 mil milhões de euros em 2014, estimativa do Governo no 2º orçamento retificativo de 2014) que a todos está a sufocar e a retirar a esperança.

Espero repostas responsáveis e com sentido de Estado. Portugal precisa urgentemente de se repensar. É mesmo urgente.

 

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