Nem Kafka se lembraria de tal…

Nem Kafka se lembraria de tal…

Nem Kafka inventaria um país tão surreal cujas leis e instituições permitiram, sem o mínimo de avaliação e responsabilização, verdadeiras situações de exceção que levaram a uma realidade de pré-falência, tendo por base a corrupção, o amiguismo e a tomada de assalto do Estado por interesses de todo o tipo. Mas, por mais absurdo que pareça, um país cujas mesmas leis e instituições não permitem, por ser inconstitucional, medidas de emergência que tenham por objetivo resgatá-lo dessa situação limite.

Um país que não permite o resgate e, em vez de se mobilizar, de se discutir e de se reinventar, fica quieto, a reclamar, centrado numa ideia absurda e irreal de um Estado que tudo pode e que tudo aguenta, à espera que um milagre qualquer aconteça, num vazio sem sentido e muito perigoso.

Um país que dispõe de recursos naturais únicos, uma excelente qualidade de território, e tudo desperdiça, sendo um dos países mais desiguais e assimétricos da Europa.

Um país que dispõe de fundos comunitários e se prepara para de novo os pulverizar pelo território, sem estratégia e sem um plano que tenha o conhecimento, a criação de valor, o emprego e a economia no centro das atenções.

Um país aflito e exausto, parado, sem respostas, sem ânimo, sem alternativas, sem grandes ideias e, aparentemente, de novo a caminho do abismo.

Um país sem perceber que situações deste tipo conduzem a longas noites de interregno.

Nem Kafka se lembraria disto…

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