Será que a montanha está prestes a parir mais um rato?

 

 

 

 

 

 

 

 

É óbvio que ele (que nem sequer nomeio, porque toda a gente sabe a quem me refiro!) sabe muito bem que não tem nada a recear!

Alguém acredita que, neste país, onde a Justiça é forte com os fracos e fraca com os fortes, a ordem do seu Governo à Lusófona (no sentido de reavaliar, no prazo de 60 dias, todas as licenciaturas atribuídas com recurso à creditação da experiência profissional) pudesse vir a ter quaisquer consequências adversas para ele, que se mantém de pedra e cal no seu importantíssimo cargo de Ministro dos Assuntos Parlamentares, não obstante a proeza de ser o maior protagonista de sempre do anedotário nacional?

Alguém acredita que o Ministro da Educação e o seu Secretário de Estado (nomeados por um Primeiro Ministro que veio publicamente defender o homem, bem como a legalidade do singularíssimo processo de equivalências de que este beneficiou) tomaram esta decisão sem terem previamente ponderado muito bem todas as consequências políticas da mesma?

Vai uma aposta que, mais uma vez, a montanha irá parir um ratinho? Vai uma aposta que se irá chegar à conclusão que o «brilhante» currículo do famoso político e maçon português afinal de contas é merecedor das equivalências que lhe foram dadas de bandeja a 32 das 36 cadeiras do curso (algumas das quais nem existiriam em 2006/2007, ano em que esteve matriculado naquela instituição de Ensino Superior)?

Vai uma aposta que, no final desta novela «exemplar», o Governo virá mais uma vez a terreiro insistir na legalidade do procedimento da Lusófona, designadamente no caso em apreço? Quantos alunos da Lusófona em circunstâncias semelhantes irão ser agora extemporaneamente sacrificados para salvar a honra do Governo e do seu edificante Ministro, que, «por lapso», declarou à Assembleia da República, por duas vezes, que tinha frequentado o 2.º ano do curso de Direito, que, por lapso, terá falsificado a sua morada legal e que, ainda por lapso, terá estado envolvido no célebre caso das Viagens-Fantasma?

Se tal vier a acontecer, ficará provado à saciedade que quem nos governa jamais entenderá a fundamental diferença entre Lei e Ética!

Se tal vier a acontecer, temo profundamente pelo extraordinário alcance nefasto desta mensagem em termos de Educação. Os nossos jovens, já tão baralhados com os péssimos exemplos de muitos políticos com responsabilidades ao mais alto nível, passarão decerto a acreditar que tudo o que é aparentemente legal é ético, é estimável ou até defensável! Incluindo o chico-espertismo com que se obtêm legalmente diplomas universitários! Esta mensagem poderá vir a ter igualmente consequências deveras devastadoras num povo desesperançado que, agora mais do que nunca, está sedento de exemplos mobilizadores!

Este caso exemplar da falta de valores que continua a grassar no meio político português –  e que permanecerá indelevelmente na história do anedotário nacional pelas piores razões – fez-me vir à memória estas palavras tão lúcidas quanto actuais do meu grande amigo Miguel Torga:

«É impossível que o tempo actual não seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se.».

Ana Maria Ramalheira

 

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