Um nobre exemplo torna fáceis as acções difíceis

Televisão burra

Os inqualificáveis programas do alegado «serviço público de televisão» de Carlos Malato, de Fernando Mendes, de Catarina Furtado entre outros (que são verdadeiros atentados à inteligência e sensibilidade estética de qualquer cidadão com um mínimo de educação) não justificam os milhões que os portugueses pagam em impostos para sustentar tantas mordomias e tanta mediocridade! Cada trabalhador (todos umas luminárias raras, é claro!) custa em média à RTP 45 mil euros por ano, incluindo salários, 800 mil euros em ajudas de custo, 400 mil euros em subsídios de deslocação, outros 400 mil em subsídios de condução e 1,8 milhões de euros em trabalho extraordinário!

Num país “de tanga” há muito tempo e agora totalmente hipotecado, já se perdeu tempo demais e dinheiro demais para resolver a situação do alegado «serviço público» de televisão! Perguntem aos portugueses se, nas actuais circuntâncias, preferem que o Estado invista na Saúde, na Educação e na Segurança Social ou no tal «serviço público» de televisão? Como é que um Governo de bem justifica um brutal aumento de impostos, os inqualificáveis cortes nas pensões dos reformados e nos subsídios às famílias e, ao mesmo tempo, aprova (pasme-se!) a concessão de 42 milhões de euros para uma pretensa reestruturação de um «serviço público», cujas vantagens para o país na actual conjuntura ainda ninguém, com um mínimo de bom-senso, foi capaz de vislumbrar?

Como é que o Governo se atreve a manter ainda um alegado «serviço público» de televisão tão caro e tão medíocre? Perante as dificílimas dificuldades por que o país atravessa, um Governo de bem deveria estar essencialmente empenhado em manter aqueles serviços públicos que realmente asseguram a dignidade da vida dos seus cidadãos. De outra forma, para pouco mais serviria o Governo! Todos os outros apoios do Estado deveriam ser muito, muito ponderados. A começar pelas ruinosas e intocáveis PPPs e pelas múltiplas e variadas mordomias terceiro-mundistas de que ainda beneficiam os representantes da República portuguesa!

Um Governo que não dá o exemplo está indelevelmente condenado ao fracasso, porque nunca logrará mobilizar os portugueses para enfrentarem, com a necessária pró-actividade optimista e engenhosa, os sacrifícios a que já estão condenados para os próximos 15 anos. E não há nada mais mobilizador do que o exemplo! Como dizia o sábio Goethe : «Um nobre exemplo torna fáceis as acções difíceis».

 

Ana Maria Ramalheira

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