Viva a diferença! Co-adopção, intolerância e discriminação (1)

 

Intolerância

 

 

 

 

 

 

Ao contrário do que afirmou publicamente a deputada da nação Isabel Moreira, num inqualificável tom tão acusatório quanto censório, repudiando a votação democrática na Assembleia da República, Portugal não está só com a Rússia, Roménia e Ucrânia em matéria de co-adopção por casais do mesmo sexo! Portugal está também ainda ao lado da Alemanha! Na verdade, o mínimo que se poderia exigir à deputada da nação que tem sido a cara mais visível desta causa era honestidade intelectual.

Com efeito, na Alemanha ainda não é totalmente permitida a co-adopção por casais do mesmo sexo! Então vejamos: o próprio termo “co-adopção” usado em Portugal é incorrecto! Se um dos membros do casal já é pai ou mãe biológico da criança, é óbvio que não adoptou ninguém! Quem poderia vir a adoptar seria o seu companheiro ou companheira! Por isso é que o Direito alemão distingue a “adopção do enteado” (Stiefkindadoption) da “adopção sucessiva” (Sukzessivadoption). A “adopção sucessiva” é a adopção pelo outro membro do casal do mesmo sexo de uma criança que já fora também adoptada pelo seu companheiro ou companheira! Assim, na Alemanha é actualmente permitida a “adopção do enteado”, mas ainda não foi legalizada a “adopção sucessiva”. Está ainda em discussão, até próximo dia 30 de Junho, um enquadramento jurídico conforme à “Grundgesetz”.

Em Portugal há contudo umas luminárias gritantes no Parlamento (em minoria) que aparentemente repudiam o voto democrático e que detestam referendos (a forma mais nobre e directa da democracia participativa). O desejo cego de impor a sua mundividência à maioria é tal que têm receio de encetar uma discussão abrangente na sociedade sobre o tema! Não vá o Zé Povinho perceber o verdadeiro alcance da engenharia social que lhe estão a impor. Será que estes “democratas”, que discriminam aqueles com quem discordam com tanto ódio, raiva e desejo de pura exterminação, ainda não perceberam que não se trata de discriminar ninguém, mas apenas e tão-só de tratar de forma diferente aquilo que é DE FACTO diferente! Sem discriminar ninguém pela sua orientação sexual nos seus direitos e nos seus deveres! Viva a diferença!

 

Ana Maria Ramalheira

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